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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

PLANO DE AULA – Contos em Quadrinhos

                                                                                                                        
INTRODUÇÃO:

Nos dias atuais os textos não têm por base apenas a linguagem verbal; a linguagem não- verbal está presente em vários contextos de comunicação. Por associar imagens a textos, as HQs tornam possiveis a leitura sem que se leia convencionalmente, alia-las as narrativas tradicionais torna a atividade proposta ainda mais interessante se analisado do ponto de vista das crianças, já que demonstram grande interesse nesse gênero textual.

PÚBLICO ALVO:

Alunos do 1º ano do ciclo - fundamental

NÚMERO DE AULAS:

12 aulas

PERFIL:

Sala heterogênea com 25 alunos, sendo que, pouco mais da metade, 18 alunos já produzem recontos e criações próprias, questionando a escrita ortográfica em relação ao falado e escrito. O restante da turma está em transição entre as fases silábica com valor sonoro e alfabética, realizando a escrita de frases simples e a reescrita de textos curtos.
As crianças são muito interessadas por leitura e reescritas em geral, gostam também de desenhar e experimentar novas técnicas artísticas, muito críticos, atentos e participativos nas atividades desenvolvidas em sala.

OBJETIVOS:

Com este plano de aula, pretende-se que os alunos sejam capazes de:

·         Refletir sobre as várias possibilidades de expressões linguisticas;
·          aprimorar capacidades de domínio da leitura e escrita;
·          ampliar a compreensão de textos verbais e não-verbais;
·         Criar textos que relacionem imagem e diálogo de forma criativa e lúdica;
·         Aprender a criar histórias com o portador textual quadrinhos, usando a intertextualidade com os contos tradicionais;
·         desenvolver capacidades de observação e  decifração;
·         Desenvolver uma história que conjugue texto e imagem;
·         Perceber a diferença de linguagem utilizada no texto literário e na História em quadrinhos;
·         Identificar os tipos de recursos que caracterizam a História em Quadrinhos e saber utilizá-los em suas produções;

CONCEITOS TEÓRICOS:
De acordo com os textos discutidos e analisados durante o curso, fica evidente a necessidade de se trabalhar os diversos gêneros textuais, pois oferecem aos alunos uma gama de referências linguísticas  que lhes permitem uma melhor reflexão e utilização dos recursos textuais dentro e fora da escola.
Não é mais admissível restringir o trabalho com a língua portuguesa à decodificação. Existem vários aspectos a serem considerados no trabalho lingüístico: desde a realidade do aluno, suas vivências culturais e sociais, até aspectos históricos e avanços tecnológicos da sociedade, fatores que não podem estar isolados do ambiente escolar. ...Sendo assim, a escola tem como dever social, enquanto agente mobilizador de conhecimentos, estar conectada a todos esses aspectos e contextualizar suas ações ao que está posto na atualidade e vivência de seus alunos.
As discussões das agendas fizeram com que esse plano de aula inicial fosse readaptado visando uma reflexão mais abrangente sobre a questão da alfabetizãção e letramento. Tendo como ponto de partida a idéia de que o aluno traz muitas referências extra escolares e possui um mundo de imagens e escritas do qual já faz parte e deve ser respeitado e refletido em sala de aula para acrescentar e reorganizar  seus conhecimentos.
Logo, partimos da perspectiva dos textos multimodais para melhor direcionar esse trabalho, onde a diversidade expressiva permite um melhor diálogo com a criança que mesmo sem saber decifrar o código escrito, utiliza-se de diferentes recursos gráficos para dar sentido ao que está a sua volta. Na leitura utiliza-se desse mesmo procedimento. Logo, é imprescindível oferecer leituras, das mais diversas, desde cedo na escola, permitindo um maior campo de possibilidades para sua compreensão e apreensão dos conhecimentos da sociedade.
O trabalho com os contos parte das referências culturais das crianças que se identificam com o gênero, são conhecimentos acomodados e confortáveis para a criança por mobilizar a imaginação, fator característico da idade. Os quadrinhos promovem a representação do cotidiano e sua relação entre imagem e texto o que permite a criança independente do seu nível de leitura e escrita, compreender seu conteúdo, a idéia que está sendo transmitida, mesmo que organizadas a partir de suas vivências.
Encontramos, portanto, nessa união de gêneros um caminho bastante enriquecedor e dinâmico para desenvolver a reflexão linguística em sala de aula, sabendo-se claro, que muitos aspectos podem ser explorados, dependendo do grupo e do direcionamento do professor, como por exemplo, o respeito as variedades linguísticas, muito discutidas durante o curso. Entretanto, diante da faixa etária acreditamos que o foco deva estar em conhecer os gêneros e caracterizá-los, além de impulsionar a criatividade e interesse nas diferentes maneiras de expressar-se linguisticamente, utilizando-se da intertextualidade, inserindo conceito de Paródia, o que propõe á criança exercitar seu repertório textual sem que omita suas impressões individuais a respeito do texto, focalizando práticas cognitivas e imaginárias. Resultando em autêntica expressão, ou seja, a criança deixa sua marca pessoal sem perder de vista conhecimentos estruturados da lingua.





RECURSOS DIDÁTICOS:

Livros dos contos tradicionais: Três porquinhos, Chapeuzinho Vermelho e Branca de neve;
Apresentação de outras versões desses textos;
Utilizar as versões desses contos escritos e ilustrados por Mauricio de Souza;
Tirinhas de histórias em quadrinhos da Turma da Mônica;
Papel kraft; hidrocor; lápis de cor; réguas;lápis grafite;color set;cola;tesoura;fita adesiva;
Fotocópias;computador com internet;impressora;


PROCEDIMENTOS:
ü  Leitura de livros e versões das histórias já destacadas; (anexo 1)
ü  Leituras de gibis da Turma da Mônica incluindo a intertextualidade com os contos e subversões realizadas em Contra das Fadas; (anexo 2)
ü  Questionar e orientar os alunos sobre o material de leitura utilizado, oferecendo pistas para que eles descubram e comparem essas modalidades literárias (HQ e Contos);
ü  Questionar sobre as diferenças da narrativa em um texto literário e nos quadrinhos fazendo em papel pardo um painel comparativo;
ü  Apresentar em um cartaz os diversos tipos de balões e seus respectivos significados;
ü  Distribuir uma história em quadrinhos sem os balões para serem desenhados pelos alunos em duplas, permitir também que o inverso aconteça, onde a partir dos balões as crianças ilustrem as falas;
ü  Escolher um conto literário para fazer o reconto coletivamente trabalhando as questões da oralidade e da escrita;
ü  Sugerir que realizem o reconto no formato HQ e façam modificações caso sintam-se interessados;
ü  Dividir a sala em 3 grupos e orientar as equipes para transformar cada um dos contos em história em quadrinhos (baseados em um dos três contos citados) usando adequadamente os conhecimentos trabalhados sobre a características dos quadrinhos;
ü  Cada equipe apresenta sua história para classe lendo e expondo a produção no mural da sala;
ü  Após as apresentações fazer as reescritas coletivamente com o intuito de melhorar os textos que deverão ser xerocados e distribuídos para a turma com as devidas revisões;



ESPERA-SE QUE:

Estas atividades contemplem o estudo e aprendizado de dois diferentes gêneros textuais: narrativas e quadrinhos, proporcionando um diálogo entre ambos, deixando em evidência as possibilidades criativas e expressivas de cada um deles onde a criança em contato com essa opção linguística, veja-se motivada a criar novas estratégias de leitura e habilidades de escrita.




Sugestões para colaborar com o trabalho emsala de aula

-Quantos personagens participam da história, o que estão fazendo...
-Apresentar os quadrinhos em branco para que as crianças imaginem e contem sobre o que os personagens podem estar conversando.
-Montar com os alunos as falas para os quadrinhos
-Mostrar a tirinha original e ler com a turma a história. Fazer a comparação entre a história criada e a original.
-Escrever as falas dos balões formando um texto.



Sugestão de questionamentos e intervenções:


       Você já deve ter lido algumas histórias em quadrinhos. Já reparou bem como elas são coloridas,           movimentadas?
     Já percebeu também que, na maioria das vezes, os textos das histórias ficam dentro de balões?
     Vamos conhecer um pouco sobre esses “balões”?
     Veja como eles podem ser de diferentes formatos.
     E que esses ‘balões’ são de tamanhos e formatos diferentes?
     Por que será que eles são desse jeito? 

Links que foram usados e podem contribuir:



- Vídeo :Os três porquinhos – walt Dysney (musicado)



-http://www.monica.com.br/comics/bolo/pag17.htm - A História de Branca de Bolo   


- Vídeo de uma atividade de  um dos alunos após esse trabalho:

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domingo, 14 de novembro de 2010

Trabalhando Cartaz...

Realizei um trabalho muito rico com uma turma de 6 anos em creche , que foi recompensador, pois além de trabalharmos bastante a questão funcional do cartaz , ainda complementamos o trabalho com a conscientização sobre o meio-ambiente!


Primeiramente, enriqueci a turma com textos dos mais variados, um processo rotineiro sem massacres, lógico. Isso acontecia em momentos de leitura feitas por mim, ou leituras livres que deixava a disposição do grupo, etc...
Em um dos momentos em que trabalhava a questão do Lixo em sala de aula , um aluno tendo como base toda a referência sugeriu o trabalho com os cartazes para alertar o grupo da escola sobre o Lixo. 
Toda a turma ficou entusiasmada com a proposta e eu idem, afinal estava percebendo retorno do meu trabalho e isso acredito ser o objetivo , porque não dizer FELICIDADE de qualquer educador comprometido.
Apresentei as características de maneira mais simples para a turma , aqui destaquei  alguns dados no intuito de pesquisa para quem estiver interessado;




O Cartaz: O Cartaz Um dos meios de comunicação visual mais usados nos dias de hoje é o cartaz. Na antiguidade existiram cartazes manuscritos, alguns deles em madeira, que eram colocados nas paredes. O primeiro cartaz impresso aparece no ano de 1480.


Objectivos do Cartaz: Objectivos do Cartaz O cartaz destina-se a transmitir a ideia e mensagem de forma simples e directa. É afixado de forma a ser lido e visto por muitos observadores em simultâneo.


A mensagem do cartaz: A mensagem do cartaz A imagem e a cor do cartaz são elementos que mais impacto causam ao observador. O cartaz deve transmitir uma mensagem curta e de fácil leitura.


Funções do Cartaz: Funções do Cartaz O Cartaz tem essencialmente duas funções: A função apelativa. A função informativa. Ambas as funções podem existir no mesmo cartaz.


A Função Apelativa: A Função Apelativa A função apelativa chama a atenção para um comportamento ou atitude a tomar perante a situação apresentada.


Função Informativa: Função Informativa A função informativa divulga ou anuncia um certo acontecimento.




Comentei que inicialmente faríamos um esboço em sulfite do que pretendíamos , com as devidas correções e em duplas; Fui ajudando passando nos grupinhos e mediando as questões que apareciam;
Em seguida, distribuí cartolinas e devolvi os esboços orientando para que ficassem iguais , porém maiores para que todos pudessem ler;
Apresentamos para outra classe de 6 anos explicando do que se tratava e falando para os colegas sobre a problemática do lixo e o por que estávamos fazendo essa atividade, explicado pelas próprias crianças; 
Enfim, saímos pela escola escolhendo lugares adequados para fixar os cartazes; Foi um momento de realização da turma; 






                                              Após execução do esboço, ampliando na cartolina bem a vontade...






                                                                          Apresentação para outra turma;


                                                                           Fixação dos trabalhos pela escola;




                                                                                                Olha a criatividade;


                                   Um amigo alertando o outro: um jogou e o outro pegou!...tudoooo!!!!rsrs

Trazendo a vivência para sala de aula: desenhou um fato que relatou em sala que : em um dia de passeio com os pais , onde um saquinho plástico jogado por alguém no carro da frente , atrapalhou a visão do pai que  por pouco não acabou em tragédia.



Esse trabalho também rendeu um texto coletivo que foi redigido por uma aluna que foi a escriba depois mimiografado e distribuído para todos na escola pelas próprias crianças.







Erro,Norma Culta, Variedades Linguísticas

A ortografia têm um status social equivocado,se analisarmos a língua em seu movimento histórico, fica fácil perceber tal arbitrariedade, onde não seguir o padrão socialmente reconhecido é estar fadado á discriminação e pré-conceitos.
A escrita é flexível e passível de mudanças. Isso, porque os denominados “erros”, têm um fundamento , “não se erra de qualquer jeito”, como coloca Sírio Possenti em seu texto elucidador. Existe certos padrões nos “erros”.
Os estudos apontam que analisando determinadas distorções da ortografia descobriu-se que ela está vinculada de maneira estreita á fala. Os erros constantes muito tem a ver com a pronúncia de determinadas palavras e como são sonorizadas, considerando as regionalidades e influências de quem as pronuncia.
Logo, a análise desses erros constantes, acabam por se tornar tendências ortográficas do portugues culto.
Tais conhecimentos oferecem-nos , enquanto profissionais da educação, a oportunidade de repensar nossas práticas para orientar ,  reestruturar e ressignificar o trabalho de revisão em sala de aula.
Normalmente, o professor avalia as “armadilhas “ortográficas dos alunos em detrimento do seu contexto, fato que hoje pode ser revisto e direcionado de outra forma. Onde o trabalho de reescrita e revisão traga benefícios e não traumas para os alunos. Fazendo do erro uma entre muitas formas de escrever e não motivo de patologia ou ignorância.
O contato frequente com os diversos gêneros textuais se bem direcionado, pode esclarecer e orientar os alunos em relação á escrita e sua melhor forma de escrever, rumo á escrita da norma culta sem frustrações.
Entretanto, devido a ligação intrínseca entre fala e escrita, anteriormente a tudo isso , faz-se necessário, valorizar em sala, as variedades linguísticas dos alunos, fazê-lo perceber que existem várias maneiras de dizer e escrever a mesma coisa, mostrando as várias maneiras de se expressar, de forma natural e lúdica.