sexta-feira, 22 de julho de 2011

Novamente o ERRO?





Em uma conversa de corredor, uma amiga também professora, comentou sobre as dificuldades de um aluno vindo do nordeste e da adaptação difícil de ambos dentro do ambiente escolar. O diálogo entre os dois era complicado, pois praticamente um não entendia o outro pelo simples fato das diferenças dialetais, que existem, na nossa língua mesmo...A falta de compreensão do que falava, fazia o menino de 6 anos ficar muito nervoso e até agressivo e só com muito tempo e paciência foram se entendendo.O que me levou novamente a pensar na questão da fala e da escrita, do certo e do errado na línguagem escolar, um tema que me faz repensar muito minha prática...amém...










A ortografia têm um status social equivocado.se analisarmos a língua em seu movimento histórico, fica fácil perceber tal arbitrariedade, onde não seguir o padrão socialmente reconhecido é estar fadado á discriminação e pré-conceitos.
A escrita é flexível e passível de mudanças. Isso, porque os denominados “erros”, têm um fundamento , “não se erra de qualquer jeito”, como coloca Sírio Possenti em um de seus textosesclarecedores. Existe certos padrões nos “erros”.
Os estudos apontam que analisando determinadas distorções da ortografia descobriu-se que ela está vinculada de maneira estreita á fala. Os erros constantes muito tem a ver com a pronúncia de determinadas palavras e como são sonorizadas, considerando as regionalidades e influências de quem as pronuncia.
Logo, a análise desses erros constantes, acabam por se tornar tendências ortográficas do portugues culto.
Tais conhecimentos oferecem-nos , enquanto profissionais da educação, a oportunidade de repensar nossas práticas para orientar ,  reestruturar e ressignificar o trabalho de revisão em sala de aula.
Normalmente, o professor avalia as “armadilhas “ortográficas dos alunos em detrimento do seu contexto, fato que hoje pode ser revisto e direcionado de outra forma. Onde o trabalho de reescrita e revisão traga benefícios e não traumas para os alunos. Fazendo do erro uma entre muitas formas de escrever e não motivo de patologia ou ignorância.
O contato frequente com os diversos gêneros textuais se bem direcionado, pode esclarecer e orientar os alunos em relação á escrita e sua melhor forma de escrever, rumo á escrita da norma culta sem frustrações.
Entretanto, devido a ligação intrínseca entre fala e escrita, anteriormente a tudo isso , faz-se necessário, valorizar em sala, as variedades linguísticas dos alunos, fazê-lo perceber que existem várias maneiras de dizer e escrever a mesma coisa, mostrando as várias maneiras de se expressar, de forma natural e lúdica.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Trechos e Trilhas na educação...Retratos do percurso...: Interferência ????da linguagem na escrita???

Trechos e Trilhas na educação...Retratos do percurso...: Interferência ????da linguagem na escrita???: " Na escrita de textos do dia-adia como bilhetes, placas, receitas podem ser identificados fenômenos ligados à interferência da oralid..."

Interferência ????da linguagem na escrita???





  Na escrita de textos do dia-adia como bilhetes, placas, receitas podem ser identificados fenômenos ligados à interferência da oralidade na escrita, que tem sido alvo de análises frequentes da língua e da escrita. 
Muitos linguistas têm estudado essa regra variável do português brasileiro e têm mostrado que a regra de concordância prevista nas gramáticas normativas, hoje em dia, se aplica somente em estilos da linguagem mais formalizada. 
 Em momentos onde não existe cobrança do formal, todos em sua maioria passam a  usar uma regra de concordância que flexiona apenas o primeiro elemento da expressão. Essa regra, então, não é exclusiva de falantes das áreas rurais como é o personagem Chico Bento ou apenas de falantes com pouca escolaridade. Por essas regras estarem tão enraizadas na linguagem oral, é comum que nossos alunos vão empregá-las em seus textos escritos que, por sua natureza, devem se aproximar da regra de concordância da gramática normativa.


1-    “Um gato que morava nu castelo”...
2-    “o dia começou quando nóis fomo para a iscola”...
3-    “O leão ficava machucando todas as pessouas”...
4-    “Ela foi pra rua pra cata uva e faze suco”...
5-    “E o carpinteiro qui era pai dos sete filho”...


Os trechos acima foram retirados de atividades dos meus alunos, uma turma de seis anos do primeiro ano do ciclo, período integral.
Em muitos casos , realmente podemos identificar a interferência da linguagem falada na linguagem escrita, não apenas em crianças que estão iniciando sua alfabetização mas também em textos produzidos por pessoas adultas , com certo conhecimento de ambas as linguagens.
No entanto, é possível justificar tal fenômeno de diferentes pontos de vista. Um deles, poderíamos citar , vem a ser o cultural , onde a fala é um objeto natural, onde cada grupo social desde o nascimento, propõe-se à transmitir aos seus membros informalmente sua cultura e consequentemente, finalidades da linguagem oral, como pedir comida, como orar, como cantar, como conversar com os mais velhos , o que difere de um grupo á outro, etc.
Outro fator que explica as peculiaridades da distinção entre fala e escrita, diz respeito à fatores de ordem histórica, suas influências culturais, e interesses políticos.ou seja, até que ponto determinado grupo têm acesso às informações do seu meio social, à educação estabelecida como modelo por uma determinada minoria dominante, que não é algo recente, mas muito antiga.
Entretanto, a função sempre é a mesma a comunicação, seja na fala ou na língua escrita. E por que são diferentes? Devido necessidade histórica e política de existir uma forma unica , dita culta. Padronizar para excluir.até porque poucos têm acesso á escolarização eficiente.

 A questão que fica diante de tudo isso é: Corrigir ou não a criança? Acredito que informar é a melhor maneira para se corrigir. Para tanto deve ser prática do professor, conversar sobre as tend~encias da língua, trabalhar com textos diversos, listas de palavras das dificuldades percebidas no grupo de alunos e suas produções, o que exige do professor real compromisso e conhecimento sobre o assunto.